A liquidez é entendida como a facilidade com que os ativos podem ser convertidos em moeda. Já a sua formação atende aos princípios da macroeconomia pelos motivos de precaução, especulação e transação.
Para a maioria dos indivíduos, que não estão familiarizados com a matéria, a precaução é para que possamos nos prevenir contra acontecimentos inesperados, a especulação para aproveitarmos oportunidades em diversos tipos de investimento disponíveis e a transação para atendermos a nossas obrigações correntes.
Esses princípios se aplicam tanto a empresas como indivíduos. Quanto às empresas, as grandes corporações possuem departamentos e profissionais que cuidam dessas questões. Já as médias e pequenas, com participação majoritária na economia, não possuem estruturas de departamentos e especialistas para esses assuntos.
Independentemente de tamanho e setor, qual a principal razão de se manter uma estrutura adequada de liquidez? A principal razão é que os mercados são imperfeitos. E o que isso significa? Que ao tentarmos acessar os mercados de capitais, de crédito, no momento desejado, os mesmos podem não estar em condições favoráveis de custo, volume e liquidez.
Pode-se entender que existe forte relação entre os princípios da macroeconomia e a ineficiência dos mercados. Será que essa relação só se aplica ao mundo empresarial com grandes transações, como emissão de dívidas ou abertura de capital? Com certeza não.
Pensemos nas pequenas empresas, no cidadão comum, na imensa quantidade de profissionais liberais que formam o conjunto dos agentes econômicos. Sem se dar conta, eles estão no contexto dessa relação, ao demandar empréstimos, realizar despesas e fazer investimentos.
É preciso considerar que no Brasil existe uma diferença brutal entre as taxas de aplicação e de captação de recursos, já que temos uma ineficiência estrutural que por si só já justifica a relevância da questão.
O consultor financeiro é figura de extrema importância nessa equação, proporcionando orientação e buscando sanar deficiências. Ele oferece a esse enorme contingente de agentes econômicos, que não dispõem de conhecimentos e estruturas sofisticadas, aconselhamento e planejamento financeiros que consideram necessariamente as duas questões: os princípios de macroeconomia e a imperfeição dos mercados.
A aplicação de ambos contribui para uma alocação mais eficiente de recursos e tem como objetivo evitar assumir passivos de maneira ineficiente. Apesar da redução recente, a diferença entre o custo de captação e aplicação de recursos em nosso país ainda é extremamente elevada.
A remuneração dos investimentos experimentou forte queda nas taxas nominal e real, o que tem levado diversos investidores a buscar maior risco, sem o devido conhecimento. Ao mesmo tempo, muitos se lançam em operações de crédito e financiamento atraídos por maiores prazos e oferta de recursos, mas sem a devida orientação.
Vamos considerar como exemplo o inicio de cada ano, em que as despesas são extremamente elevadas e concentradas, como impostos, escolas, férias. Esse é um exemplo clássico de como a maioria dos agentes não conhece ou não considera a ineficiências dos mercados. Como seus recursos foram alocados para atender esses momentos de maior demanda? Como foi planejada a necessidade de tomada de recursos, em que modalidades e prazos?
Um bom planejamento financeiro tem necessariamente que considerar todas essas questões que estão diretamente relacionadas a relações que foram abordadas. Os recursos devem estar investidos de maneira a otimizar rentabilidade e custo no momento de sua utilização. A tomada de recursos deve ser planejada com antecedência, com objetivo de buscar prazos e taxas mais adequadas.
A importância do consultor e/ou planejador financeiro fica evidente quando temas como liquidez, prazos, ativos financeiros, taxas, ineficiência dos mercados, princípios da macroeconomia, têm de ser considerados. Ao fazermos isso, estamos construindo estruturas mais eficientes para a utilização de recursos e para indivíduos e empresas.
Fonte: Valor Econômico