O sonho de ser um mega-investidor ou, pelo menos, um investidor acima da média, parece ser unânime entre a maioria das pessoas que aplica seus recursos no mercado de ações. Afinal, o único motivo plausível para se arriscar no segmento de renda variável é o de ganhar dinheiro.
Em conseqüência, muitos aplicadores ficam suscetíveis aos "ensinamentos" e "dicas" de pessoas intituladas como os gurus do mercado financeiro ou mesmo às "fórmulas mágicas", de investidores que se julgam infalíveis.
Na outra ponta, muitas vezes mesmo os que estudam teorias bem fundamentadas ou lêem livros escritos por profissionais realmente sérios e que buscam compartilhar com o mundo suas percepções sobre o mercado, se confundem ao traçar o que julgam ser a melhor estratégia de investimento.
São várias dúvidas. O que é melhor? Investir em empresas conceituadas, pensar em proventos ou comprar ações de companhias de menor porte e menos conhecidas, que usualmente apresentam curva de crescimento mais acentuada? Diversificar ou apostar todas as fichas em um único papel? Investir pensando no longo ou no curto prazo?
Tudo depende de uma filosofia de investimento
A primeira coisa que um investidor recém chegado ao mercado financeiro precisa entender é que não existe uma fórmula única que garanta o sucesso. Práticas que são vitoriosas para alguns podem não se adequar a todos os investidores.
Aswath Damodaran, professor de finanças da New York University (NYU) e detentor de uma série de importantes prêmios por excelência em ensino, defende que o sucesso de uma estratégia de investimentos depende de uma filosofia de investimentos consistente em sua essência. Ela deve levar em consideração não apenas os mercados nos quais se pretende investir, mas, também, as características individuais de cada investidor.
Trocando em miúdos, a chave do sucesso pode não estar em saber exatamente o que fez Warren Buffet, George Soros ou Peter Lynch ter sucesso, mas em descobrir o que você quer para você mesmo.
Investidores sem convicções não atingem o sucesso
Damodaran destaca que, para sermos investidores de sucesso, precisamos não apenas considerar as evidências dos mercados, como também examinar nossos próprios pontos fortes e fracos para adotarmos uma filosofia de investimento que melhor se adapte a nós.
"Os investidores sem convicções tendem a vagar de estratégia em estratégia, atraídos por histórias de sucesso recentes, criando custos de transações e incorrendo em perdas como conseqüência. Os investidores com filosofias de investimento claramente definidas tendem a ser mais consistentes e disciplinados em suas escolhas de investimento", comenta Damodaran.
Desenvolvendo uma boa filosofia de investimentos
Para desenvolver uma boa filosofia de investimentos, o professor da NYU acredita que o primeiro passo é compreender os fundamentos de risco e de avaliação.
Pontos fundamentais seriam o de buscar conhecimento intelectual para subsidiar formas de avaliação de um ativo ou determinado mercado e de aferição de seu risco, relacionando-o ao retorno esperado.
A partir destas premissas, que parecem básicas, mas que demandam muita dedicação e paciência, Damodaran destaca que o investidor deverá também desenvolver estratégias compatíveis com o seu grau de aversão ao risco, com o tamanho da sua carteira e com o horizonte de tempo da aplicação.
Em resumo, se você não detiver conhecimento suficiente para entender como os mercados funcionam (ou não funcionam), quais as variáveis balizam o desempenho dos ativos em que se pretende investir e os seus próprios objetivos e limitações, o sucesso no mercado de ações dificilmente será alcançado.
Fonte: Infomoney