quinta-feira, 16 de abril de 2009 Mercado de Ações

A importância do longo prazo ao aplicar em ações

545454 Em pesquisa do Ibmec-SP sobre os hábitos de investimento, realizada em agosto de 2008 e publicada pelo Valor, observamos alguns pontos interessantes. Foram ouvidos 165 clientes, de cinco grandes bancos brasileiros, sendo 67% dos entrevistados com idade entre 26 e 41 anos e 30% deles na faixa acima de 40 anos.

Seguem as perguntas e respostas:

1) Como você se define como investidor? 6% se consideram agressivos, 30% responderam que são conservadores e 64%, moderados.

2) Qual o seu horizonte de investimento? 24% responderam até um ano; 30%, mais de cinco anos, e 46%, entre um e cinco anos.

3) Qual a expectativa quanto ao valor de sua carteira daqui um ano? 18% responderam o mesmo que o atual, 33% significativamente maior e 49% moderadamente maior.

4) Quanto você suportaria de perda de capital em uma operação? 52% responderam até 10% do capital investido, 27% responderam nada, pois sairiam ao primeiro sinal de perda, e 21% responderam até 30% do capital investido.

A pesquisa traz algumas informações importantes sobre o perfil do investidor brasileiro: a maioria (94%) se diz conservadora ou moderada e 82% esperam que seu valor em carteira estejam moderadamente ou significativamente maiores em um ano. Essas são respostas contraditórias, mas, quando tratamos de investimentos, é assim mesmo. Não sabemos ao certo o que nos satisfaz: retornos elevados ou baixo risco?

Os investidores são pessoas preocupadas com a volatilidade (variação) dos preços dos ativos, principalmente os "marinheiros de primeira viagem", que experimentaram forte alta entre 2002 e a primeira metade de 2008. Nesse período, a bolsa não fechou no negativo em nenhum ano. Esses mesmos investidores, que até então não tiveram o desprazer de passar por um momento de alta volatilidade, ficaram assustados com a variação das ações negociadas nos últimos oito meses. Mas nem tudo é tão desesperador assim. Abaixo há algumas respostas que podem ajudar o investidor.

Em artigo publicado recentemente, Michael Schmidt avalia o desempenho do S&P 500 (índice que engloba as 500 maiores empresas americanas) no período de 1926 a 2005, em que assume períodos de um, três, cinco, dez e 20 anos, mostrando os retornos mínimos e máximos anualizados. No período de um ano, o retorno anualizado ficou entre -43,30% e +54%; em três anos, foi de -27% a +31,20; em cinco anos, de -12,50% a +28,60%; em dez anos, de -0,9% a +20,10%; e, por último, em 20 anos, de +3,10% a +17,90%. O que esses números nos indicam? Mostram que, quanto mais tempo o investidor mantém os recursos aplicados na bolsa, maior a probabilidade de ele obter ganhos. Com o tempo, a volatilidade diminui significativamente.

Efetuamos o mesmo estudo para o Ibovespa, com os dados a partir de 1989, período em que houve a abertura comercial/financeira no Brasil, possibilitado, assim, que o investidor estrangeiro pudesse alocar seus recursos no país. Em um ano, o retorno anualizado do Ibovespa ficou entre -25,26% e +87,43%; em três anos, ficaram entre -0,73% e +56,43%; em cinco anos, entre +5,89% e +49,71%; e, finalmente, em 10 anos, entre +13,36% e +47,46%. Os resultados são similares aos do S&P500, ou seja, quanto maior o prazo que o investidor permanece com seus recursos aplicados, maiores são seus retornos.

Durante esse período de alta volatilidade, muitos investidores questionam suas estratégias, principalmente os "marinheiros de primeira viagem". Será que fiz certo ao investir em ações? Devo vender ou aguardar a recuperação dos preços, que virá sabe-se lá quando?

Esses investidores estavam mal-acostumados, pois, de 2002 até a primeira metade de 2008, a bolsa não fechou no território negativo nenhum ano. Assim, na média, os investidores que aplicaram em ações de primeira linha (blue chips) não tiveram prejuízos. Quem foi disciplinado, com horizonte de longo prazo, foi beneficiado. Aquele que investiu em ações e permaneceu aplicado nos últimos dez anos obteve retorno médio entre 13,36% e 47,46%. Nada mal para investimento de risco.

Dado o cenário, a resposta que podemos dar a esses investidores que estão preocupados com a volatilidade é: ignore as flutuações de curto prazo e pense no longo prazo. Não mude de estratégia no meio do caminho. Isso pode ser mais caro do que se parece neste momento de volatilidade elevada. Dê tempo ao tempo.

Fonte: Valor Econômico

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