quarta-feira, 29 de outubro de 2008 Investimento em valor

O investidor empreendedor

8800707980 O investidor empreendedor (ativo) é aquele que dedicará bastante atenção e esforço para obter um resultado acima da média em seus investimentos. Podemos classificar as operações características do investidor empreendedor no mercado de ações em quatro categorias: Comprar em mercados de baixa e vender em mercados de alta; Comprar, com cuidado, “growth stocks” selecionadas; Comprar ações subvalorizadas de diversos tipos; Comprar em situações especiais.

Antecipação do Mercado

Discutiremos adiante em “O Investidor e as Oscilações de Mercado” as possibilidades e limitações de uma política de compra quando o mercado está deprimido; e de venda, nos estágios avançados de um boom.

A política geral indicada a qualquer tipo de investidor continua sendo a mesma do investidor defensivo de 50%-50%. Porém, existe uma ampla área de manobra entre um mínimo de 25% e o máximo de 75% em ações, à qual é permitida àqueles investidores com fortes convicções tanto do perigo quanto da atratividade do nível do mercado.

Growth Stocks

Uma growth stock pode ser definida como uma ação que teve um ótimo desempenho no passado e da qual se espera o mesmo no futuro. Parece simples e lógico que o investidor concentre-se nessas ações, bastaria fazer um cálculo estatístico e identificar as companhias que tiveram um desempenho acima da média do mercado. Há alguns problemas com esta abordagem. Primeiro, as ações com desempenho bom e com uma perspectiva aparentemente boa são negociadas a preços correspondentemente altos.

O investidor até pode estar certo quanto às perspectivas destas ações, mas pode se sair mal simplesmente por ter pago um preço muito alto pela valorização esperada. Além disso, a sua avaliação de futuro pode estar equivocada. O crescimento rápido diferenciado não pode ser mantido para sempre; quanto uma companhia já apresentou uma expansão brilhante, o próprio tamanho torna mais difícil a repetição deste desempenho.

Um estudo feito com base no desempenho de fundos com ações de crescimento rápido demonstrou que nenhuma recompensa expressiva surgiu de um investimento diversificado nestas ações em comparação com as ações em geral. Graham desaconselha o investimento em growth stocks para o investidor empreendedor, lembrando que este tipo de investidor não é aquele que corre mais riscos do que a média, mas, simplesmente, aquele disposto a dedicar mais tempo e esforço extra na pesquisa de sua carteira.

Um dos principais aspectos das ações de crescimento são as grandes oscilações em seus preços de mercado. Quanto mais rápido o preço da ação sobe em comparação com o crescimento efetivo dos lucros da companhia à qual pertence, mais arriscada esta ação se torna como investimento.

Situações Especiais

Para uma política de investimentos obter resultados acima da média no longo prazo deve possuir duas características: (1) deve passar por testes objetivos ou racionais de coerência interna; e (2) deve ser diferente da política seguida pela maioria dos investidores ou especuladores. A seguir são apresentadas três abordagens que atendem a esses critérios.

Companhia grande relativamente pouco popular

O mercado tende a subvalorizar as companhias que estão com popularidade em baixa por causa de acontecimentos insatisfatórios de natureza passageira. Embora companhias pequenas também possam ser subvalorizadas por razões semelhantes, e em muitos dos casos os lucros e os preços de suas ações possam aumentar mais tarde, elas implicam risco de uma perda definitiva de lucratividade e também do desprezo continuado do mercado, apesar da melhoria dos lucros. As companhias grandes têm os recursos em termos de capital financeiro e intelectual para ajudar a si mesmas a superarem as adversidades e retornarem a uma lucratividade satisfatória. Além disso, é provável que o mercado responda com uma velocidade razoável a qualquer melhoria mostrada.

Compra de ações subvalorizadas

Ações subvalorizadas são aquelas que, com base em fatos estabelecidos por análise, parecem valer consideravelmente mais do que seu preço atual de venda. Graham sugere que uma ação é realmente subvalorizada quando seu preço é pelo menos 50% inferior ao seu valor indicado pela análise. Há duas maneiras de avaliar se uma ação está subvalorizada. A primeira é pelo método de avaliação que depende em grande parte da estimativa dos lucros futuros. Se o valor resultante for suficientemente superior ao preço de mercado a ação pode ser identificada como subvalorizada.

A segunda maneira é o valor do negócio para um proprietário privado. Normalmente, este valor também depende principalmente dos lucros futuros esperados. Porém, neste caso deve se dar mais atenção ao valor realizável dos ativos, com ênfase especial no ativo circulante líquido ou no capital de giro. O mercado muitas vezes reage de forma exagerada aos fatos. Duas prováveis fontes de desvalorização são: (1) resultados atuais decepcionantes e (2) impopularidade ou desprezo continuado.

Nenhuma dessas causas, considerada isoladamente, pode servir de orientação para o investimento ser bem sucedido. Como saber se os atuais resultados decepcionantes são temporários? As diversas experiências deste tipo sugerem que o investidor precisaria mais do que uma simples queda de lucros e preços para fornecer-lhe uma boa base de compra. Ele deveria exigir uma indicação de, pelo menos, uma estabilidade razoável nos lucros ao longo da última década ou mais, isto é, nenhum ano de prejuízo, além de tamanho e força para lidar com possíveis problemas no futuro.

Dessa maneira, o ideal seria uma empresa grande e de destaque que está sendo negociada a um valor bem abaixo de seu preço médio no passado e de seu múltiplo médio de preço/lucro. O tipo de ação que pode ser facilmente identificado é aquela que está sendo vendida por menos que o capital de giro líquido (ativos correntes, tais como dinheiro em caixa, valores mobiliários negociáveis e estoques) da empresa, após a dedução de todos os compromissos assumidos. Isso significa que o comprador nada pagaria por todos os ativos fixos, prédios, máquinas, etc., ou por quaisquer itens intangíveis que possam existir.

Considerações sobre a Política de Investimentos

A escolha da política de investimento depende em primeiro lugar de o investidor escolher ser defensivo (passivo) ou empreendedor (ativo). O investidor ativo deve ter um conhecimento considerável de quanto valem os valores mobiliários para justificar suas operações de investimento como se fosse um negócio empresarial. Não há como ficar no meio do caminho entre o ativo e o passivo, o posicionamento em uma categoria intermediária provavelmente renderá mais decepção do que realização.

A maioria dos investidores deveria optar pela classificação defensiva, pois não possuem tempo, determinação ou capacidade mental para encarar os investimentos como um quase negócio. Portanto, devem se satisfazer com o excelente retorno possível com uma carteira defensiva e devem resistir corajosamente à tentação de aumentar esse retorno ao se desviar por outros caminhos. O investidor empreendedor pode se envolver em qualquer operação para a qual seu treinamento e capacidade de julgamento sejam adequados e que pareça suficientemente promissora quando medida pelos padrões empresariais estabelecidos.

Autor: Tiago Machado
Texto adaptado do livro "O investidor inteligente" de Benjamin Graham

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